Volumetria
S.f.1.Quím.Processo de análise quantitaviva que consiste em despejar um volume mensurável de solução titulada em volume conhecido da solução que se vai dosar, até o momento em que um indicador possibilite conhecer o término da reação.Arquivo para Agosto, 2007
Como é a sua rotina?
Eu acordo, venho pro trabalho, saio pra almoçar, volto, faço o que preciso e vou embora. Aí leio ou ouço música ou vejo TV ou dou uma saída pela Vila ou vejo um filme…errr…que díficil…é mais ou menos isso e aí detalhes acontecem entre uma coisa e outra…
Geralmente eu acordo umas 9h30, 10h. Levanto da cama, ligo o computador e a cafeteira. Aí, depende. Nos dias que finjo ser saudável, pego meu mp3 do Promocenter e vou andar no parque. Nos outros dias, fico enrolando em casa mesmo, tomo banho, ouço música. Umas 11h eu venho pro jornal e fico aqui até umas 20h30, 21h. Aí, à noite, depende do dia.
Ontem, por exemplo. Vim até aqui, ansioso, mandei email, ansioso, comi, ansioso, e escrevi sobre o Johnny Cash. Não tinha muito mais o que fazer, fui pra casa, encontrei um amigo, outro amigo meu passou lá, festa horrível, Filial, casa, dormir.
Trabalho 9:30 – 18:30
USP 19:20- 22:50
Casa 23:30- 9:00
É um amontoado de atividades programadas.
Amontoado é a palavra.
Programado é a chatice.
E o inesperado são as coisas boas e ruins.
Rotina anual é mais fácil. Me arrasto até chegar o Carnaval. Daí vivo na folia por cinco dias. Na quinta-feira, com a sensação de ter apanhado por cinco dias seguidos, me jogo na cama e me recupero. Acordo novo na segunda e me arrasto até o próximo carnaval.
Na verdade, rotina todo mundo tem. O que é interessante são as coisas que acontecem no meio dela, o que diferencia um dia do outro. Embora, às vezes, os dias sejam bem parecidos.
Tem uma (única?) coisa que me faz gostar dos americanos. Na maioria das vezes, eles não perguntam “How are you?”. Eles perguntam “How are you TODAY?”.
Acho poético.
Plato cheio
No colegial, eu tinha –ou sofria de, mais adequado– uma paixão platônica. Minha classe se dispunha em lugares mais ou menos marcados, em que também se afirmavam e reafirmavam o que era uma espécie de papel social de cada um. Os viajandões ficavam na janela, bagunceiros, no fundão, estudiosos sempre na frente, e os sociáveis gostavam era do meião. E eu, magnetizada pelo objeto de meu desejo, só conseguia me sentar em um lugar da sala: o que ficava imediatamente atrás dele. E como ele quase sempre se sentava no mesmo lugar, acabei uso-capiando meu lugar cativo na classe.
Poderia ter escolhido um outro aproach. Poderia ter resolvido me sentar do lado dele, na frente. Mas a verdade é que, naquelas CNTPs, não me restavam muitas opções. Do lado não dava, que era próximo demais para a paixão que eu carregava, praticamente exalava, e eu podia ser acometida por um transbordamento-síncope. Na frente me seria custosíssimo, porque, mais do que estar perto, eu precisava tê-lo onde meus olhos, pelo menos eles, pudessem alcançá-lo. De maneira que atrás me parecia a decisão mais acertada.
Passava as horas mapeando sardas, pêlos, manchas, poros. Podia construir um planetário mental — e interativo: com cheiro, timbre, tiques e toques que eu adivinhava. Prendia a respiração. Era a única maneira de reter aquela presença etérea dentro de mim. Me viciei naquilo. Consumia-o em doses cada vez maiores para obter um mínimo de efeito. O censo comum me dizia que era hora de ir adiante, de entrar no campo da concretização. Mas no fundo eu sabia, como vim a aprender depois, que há as coisas de que necessitamos e as coisas que desejamos. As coisas de que necessitamos aplacam necessidades imediatas; as que desejamos, jamais matarão sede alguma, porque o desejo é justamente aquela falta que jamais se completa.
Pés pelas mãos
E agora eu fico aqui, sem saber o que fazer. Você acha que eu ligo?
Liga.
Agora?
Não, agora não. Espera um pouco.
Quanto?
Um pouco, sei lá. Antes das duas não dá, vai parecer muito ansioso.
Mas eu tô!
Aí é que tá.
Se bem que ligar às duas… Quem é que liga às duas, meu deus?
Liga no final do dia, então.
E se for tarde demais?
Bom… o certo era você ter ficado com ela ontem.
Poizé!
O jogo tava ganho.
Eu sei, não sei o que me deu. Travei. Tô com 12 anos.
Agora, campeão, vai ter de suar a camisa.
Vou ligar. Ligar e sentir como as coisas estão.
Iniciiiia a partida!
Chamá-la pra fazer algo na sexta.
O meio-de-campo arma a jogada
Também posso mandar flores.
Artilharia se aproximando da área
Com um bilhete dizendo… dizendo alguma coisa que ela vá gostar.
Corre para receber
Que faça ela querer me ver
Cruzou
“Quer casar comigo?”
Pra fooooooooooooora!!!
Sutil
Não, não é um filme imperdível. Mas é que gostei do tema. Se fosse um outro dia, talvez não tivesse gostado do filme. Talvez nem quisesse pagar para vê-lo. Mas é que ando pensando nessas coisas. Ah, coisas. Incompreensão, basicamente. Afinidade e incompreensão. Acho misterioso. De onde isso nasce?
O filme não é explicitamente sobre isso, mas é sobre isso também. O filme é sobre o filme que ele tentou fazer, mas não conseguiu. Não conseguiu porque sempre houve uma distância que ele não conseguiu transpor. É a distância da incompreensão. Na única vez em que Santiago tenta falar de uma coisa íntima dele, recebe a resposta “Não, isso não precisa”. Chega a ser engraçado. E triste também. É frustrante não ser compreendido. Tanto quanto é frustrante não conseguir compreender (“A vida não é uma decepção?”; “Sim, é”, ela respondeu sorrindo).
Parece que algumas coisas nos são simplesmente intocáveis, que não temos capacidade de chegar ao ponto. Na aula, ele disse que você pode entender tudo sobre arte, mas jamais vai conseguir explicar por que uma obra te emociona e a outra, não. Você entende a técnica, admira o artista, sabe que o negócio é importante. Mas simplemente não te toca. Não é a sua língua. “Chega um momento em que é preciso definir nossos amores”, ele disse. Porque existe o que amamos e existe o que não amamos. Existe o sorriso incontrolável e o amarelo. Fico pensando que linha é essa, que separa tudo isso. Vem da gente? E, se vem, por que não podemos controlá-la?
Também fico pensando naquele sorriso.
Por que é que você ri, afinal?
Respiro
Senti a brisa do mar quando caminhava na Paulista.
Ouvi as ondas se quebrando atrás do vão do Masp.
Os moleques sobre muro se sentavam era sobre as pedras, contemplando os navios na linha do horizonte.
Pensei em descer pela continuação da Casa Branca só para molhar os pés.
Meus cabelos já estavam tão bagunçados de maresia mesmo.
E meu andar amolecido como areia lambida — gosto de ter os ombros soltos.
É que a gente é tão livre para querer.
O mais difícil mesmo é saber o que se quer.
É acreditar que a resposta está dentro.
O mais difícil é confiar na intuição.
Por isso é que vou me dar um voto de confiança: tem um mar quebrando agora mesmo, ali no túnel da Nove de Julho.
Dialética no chuveiro
Trailer de “Shine a Light”, do Scorsese sobre os Rolling Stones.
Li um texto muito inspirador do meu amigo Bruno Saito, em que há uma espécie de teoria de que os gatos são leves e ágeis porque têm pouca memória.
Fiquei pensando se, então, a memória não é o cabelo que entope o ralo pelo qual escoam os nossos sonhos. Porque, olha: é o orgânico e o indesejado, o obstáculo a ser removido para que o fluxo continue rolando. É seu, mas também não é mais, porque já caiu da sua cabeça, não é mais parte, é resíduo. Mas a responsabilidade pela existência daquilo é sua, porque foi da sua cabeça que ele brotou.
Dialeticamente demasiado. Só que ainda tem mais.
Porque agora, pensando de novo, acho que a memória é o próprio ralo. Porque, se não tivesse existido aquilo, você não seria quem você é, nem teria esses sonhos que você tem agora para escoar realidade afora. A memória é que vai determinar os buracos para onde os sonhos serão canalizados.
Assim, quando um amor entra na sua vida, seus sonhos também passam a escoar por ele. Talvez os amores que não dão certo sirvam justamente para compor esse ralo, cada um deles um buraquinho. Mas não gosto dessa denominação, “não dar certo”. Não existe isso. Pode até não se prolongar muito tempo no mesmo estado-êxtase, mas amor não é terreno onde as coisas possam ser chamadas de certas ou erradas. Elas simplesmente são. E, às vezes, abruptamente deixam de ser. Às vezes também elas nunca foram, a gente é que inventa, inventa-a-a. De qualquer forma, o que importa é que o sentimento deixa de ser do jeito que era, mas de alguma forma permanece em nós. Permanece porque se transforma.
Romper é passar a amar com outras cores.
Um ano de Volú
E eis que aqui estamos, um ano depois. Incrível isso, contrariando todas as expectativas, o tempo realmente passa. Mesmo naqueles momentos que sugam nossos pés como dunas de areia fina. É o efeito ampulheta mágica: o instante nos suga tanto que acaba nos levando para uma outra dimensão, em que a areia, em vez de nos sugar, passa a cair em cima de nossas cabeças. Mas isso também acaba e recomeça e acaba e recomeça nas espirais de encontros, desencontros, sonhos, planos, ou de rasteiros cafés com pão.
O Volú completa um ano hoje, olha só que coisa incrível. Perguntaram se ia ter festa. Vai, sim, no Second Life. E depois uma saidera na gibiteca, onde jogaremos RPG até altas horas, não deixe de ir!
No dia em que comecei a escrever simplesmente queria me exorcizar. Demorei para contar que isso aqui existia, uma vergonha do caramba, streap-tease público. E como tal, achei melhor também contar em etapas. Como uma pedra que cai no lago e vai desbravando água após água, falei primeiro para os que tinham passe livre pra rir da minha cara. Mas não riram. Alguns me taxaram de nerd, tudo bem, eu já esperava, eu mesmo já desconfiava disso. Mas a troca de ação e reação foi uma grata surpresa, coisa realmente inesperável(?).
Vi que as pessoas sentem, mesmo quando não sabem como se expressar. Somos mais parecidos do que imaginamos, frágeis, vulneráveis, com planos que estão mais para barquinhos de papel do que superlanchas. Somos feitos da mesma merda, estamos na mesma merda, embora, claro, alguns fedam mais do que os outros. Mas, no fundo, somos só pessoas. Não há o que temer.
Então, chafurdando na pieguice, agradeço aos meus queridos leitores, muito mais assíduos do que minha imaginação já se deixou levar a esse respeito. Agradeço aos meus musos e musas inspiradores, que tanto me acrescentam em texto e em matéria-prima de vida. Aos meus amigos imaginários, que hoje me são tão reais, e aos reais, que vivem ainda mais intensamente na minha imaginação.
E de gran vinale vai uma frase que, segundo Nelson Motta, realmente saiu da boca de Vinícius de Moraes: que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto duro.
Organizam-se caravanas pro Tim Festival
Tratar aqui.
O pacote inclui beca para participar do coral do Killers (“come-with-meee”) e lancheira com suco de maracujá vazado.
E hoje me deparo com música nova da Deusa:
Mandei dizer que num tô
Trailer do I´m not there, em que todo mundo é Bob Dylan e ele é todo mundo.
Parece que estréia nos EUA em novembro.
Aqui
E eu, que já me contentava em ser John Malkovich…
Vai entender
Não diz isso.
O quê?
Que eu sou bonita.
Por quê?
Porque eu não gosto, não quero.
Não quer que eu diga ou não quer ser?
Os dois. Não quero ouvir, não quero ser. De que adianta ser bonita?
Ué, e de que adianta não ser?
Adianta que as pessoas sabem mais o seu nome do que o tamanho da sua bunda.
Bom, isso depende se você está indo ou vindo.
…
Ou, sério. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Desde quando ser bonita invalida outras coisas?
Ah, um pouco. As atenções se concentram nas coisas erradas.
Como assim, erradas!? O que vale é que existam atenções, não?
Não.
Tá bom. Então você quer que ninguém note você, é isso?
Não, mas quero que me notem pelas coisas certas.
Ah, ótimo, existem as coisas certas. Tipo o quê? Falar uma coisa inteligente, por exemplo?
Por exemplo.
E você precisa ser feia para dizer algo inteligente?
Não…
Então! Credo. Que conversa, nada a ver… Tá carente, é?
Não sei…
Parece. Que bobagem, uma mulher tão bonita insegura à toa.
Bonita? Você acha mesmo, é?

