Volumetria
S.f.1.Quím.Processo de análise quantitaviva que consiste em despejar um volume mensurável de solução titulada em volume conhecido da solução que se vai dosar, até o momento em que um indicador possibilite conhecer o término da reação.Arquivo para Fevereiro, 2009
Carnavalizando
- Essa é a mulher melancia?
- Pelo rosto não sei. Vira, deixa eu ver. É ela, sim.
- E a mulher morango, qual é?
- É a das tetinhas. Quer dizer, peitinhos. Quer dizer, é a de amarelo.
- E essa aqui?
- A mulher maçã.
- Maçã? Ela tem a maçã do rosto saliente?
- …
- Ou um peito verde e um vermelho?
- Não… é tipo mulher tentação, sacou?
- Tentação? Com essa bunda murcha tá mais pra maçã da Mônica.
- Não seja má. Hoje ela tá de maçã gala.
- Que nada, é maçã ´fuja´. E essa aqui?
- Mulher melão. Airbag.
- Essa?
- Mulher caju. Por causa do piercing.
- E essa aqui?
- Figo.
- A de tapa-sexo?
- É.
- E cadê o figo?
- Coberto.
- Meu deus. E mulher uva?
- Peitão.
- E pera?
- Bundão.
- Jaboticaba?
- Muito caroço pra pouca polpa.
- Ameixa?
- Passou dos 60.
- Maracujá?
- Passou dos 80.
- E tomate?
- Tomate não é fruta.
- Pior que é, mas deixa pra lá.
- Mas tem a caqui.
- Como é?
- Lasciva.
- E kiwi?
- Sem depilar.
- Framboesa?
- Escandalosa.
- E a Waleskinha Popozuda do Funk Tigrona Bandida Marrom Glacê?
- Não é fruta. Talvez nem mulher.
- Bom, se for é a mulher tomate.
Parto esta noite
Vontade louca de partir desse lugar onde nunca estive, ir-me embora desse tempo ausente de mim. Faço as malas (já submersas no vácuo que inunda o espaço) e me coloco a caminho da perda de tudo o que não há. Carrego uma bagagem de memórias inúteis e desejos vãos. O presente não trago, e o peso do que não é me afunda no instante em que me encontro. Sigo. Pego o atalho em caracol para desviar do caminho certo. Largo a largada. Abandono também o estático movimento da queda permanente, um desapego com afinco. Deixo para trás a imensidão oca e me direciono à familiar a inexistência dos que são. Me vou. Estou, mas deveria ter sido. Talvez eu devesse partir agora. Partir agora para chegar a tempo. Porque agora sempre é tempo. Ou nunca mais. Partida em partes para uma destinação única. Agora. Ou nunca mais.
A gente
A gente
A gente se dá
A gente se dá muito
A gente se dá muito bem
A gente se dá muito
A gente se dá
A gente
Diletante
Ansiedade tripla hélice
Ceifando campos de algodão
Planos picotados secando ao sol
Abafando os brotos que tentam romper o chão
O adubo dos sonhos é não tocá-los
Para que cresçam exatamente como nasceram
Ramificando sua infinidade inconclusa
Até que morram de inanição
Nos campos de sonhos não se anda
Que pés que avançam sempre esmagam esperanças
Com solas no solo, imaginar é mais praga que pesticida
