Volumetria

S.f.1.Quím.Processo de análise quantitaviva que consiste em despejar um volume mensurável de solução titulada em volume conhecido da solução que se vai dosar, até o momento em que um indicador possibilite conhecer o término da reação.

Arquivo para Abril, 2009

Notas essenciais

Arranco pétala a pétala
A flor que se cala diante de meus movimentos 
O mundo decomposto e reconstruído
Esvoaçante e preciso como uma rosa-dos-ventos

Mais um Roth

O que é a vida senão tudo aquilo o que não esperávamos dela?

Caixa de ferramentas

Fui instrumental, e quem não é? Isso é o amor.

Philip Roth, “O Avesso da Vida”

Tranca

Pela fechadura, a história entranhada na história corrente. Luz jogada sobre o absurdo despercebido das rotinas banais. Pela fechadura, todos os segundos que serão esquecidos em segundos sobrevivem em detrimento dos ideais inesquecíveis que jamais se imprimirão no tempo, estrangulamento da calma do sonho como garantia do aliviante desespero imediato. Pela fechadura, dedos espasmodicamente abertos para agarrar o bloco pragmático deixam tombar o suave tom intuído, pressa que corre com pernas  ignorantes em busca do que já se tinha antes de ir. Pela fechadura, um letreiro de Broadway transfigura em cor o rosto de quem espia através do óbvio. Letras garrafais piscantes alertam sobre o destino pouco a pouco escolhido, farol prevenindo da praia sobre o ponto final de todas as milhas navegadas. Pela fechadura, questões postas atrás da porta perfuram a realidade, vingando silêncio e omissão. Impassividade revolta pelas impossibilidades, contornos do desconexo claros como a luz do dia, sombra contraposta ao ser e ao deixar de ser. Pela fechadura, toda sabedoria transpassa um buraco menor que a unha de um dedo, revelando uma ausência maior que o mundo. Pela fechadura, os pés ainda estão onde a cabeça os abandonou. Levo as mãos aos bolsos à procura das chaves.

temaki

Voaremos ao Japão
Arroz, amor e haikai
Eu gueixa, você samurai

amarração do amor

amarras são do amor
amar ação da dor
armação, dominador
na marra doador

Jazz

Tratava seu homem à escovinha,
o carinho áspero das respirações ofegantes

Impulsos pulsantes de bumbo saltando-lhe as veias
animal enlouquecido agarrado ao que some no ar

Batimentos contidos no decorrer da marcação
(ainda que sobressaltos pululassem a toques de caixa)

Sopros rasgando em agudos os limites da flor e da pele
para, numa virada, maltratar a toques de prato

Recompostos no deslizar em branco e preto
A calma transgredida por golpes de oco e corda

Reencarnavam lentos no improviso movediço
Concebido manso para estraçalhar corações

Vulgar

de tanto escancarar as pétalas
depedaçou-se em mal-me-quer

Acidente

Destroço
Fragmento
Unidade de tempo

Estilhaço
Batida
Caco de vida

Solidão
Devaneio
Dor a passeio

Fuga
Embate
Torpor de cidade

Didatismo freudiano

A vontade vem do instinto
O instinto é energia
que nasce num lugar obscuro
entre o corpo e a mente

Ao agir no organismo,
a energia produz desconforto
(primeiro movimento do instinto)
Ao agir na mente,
nos induz a procurar alívio
(segundo movimento do instinto)

As emoções são derivadas do instinto
(causam desconforto e nos obrigam a procurar alívio)
Amor é sede depois de se ter bem bebido (CQD)